Com uma quantidade tão grande de aplicativos disponíveis, umas das principais perguntas que nos fazemos quando vamos criar um projeto mobile, sendo empresa, produtora ou freelancer, são: “Mas como vou conseguir fazer esse negócio dar certo? Como vou fazer com que os usuários baixem meu aplicativo?”

Bom, meu nome é Eduardo Rossini Jr., sou interaction designer e professor dos cursos de design mobile no iai? e vou tentar passar um pouco da minha experiência para todos os que pretendem criar um app e tentar responder essas perguntas.

Vamos lá, pra começar temos que pensar que desenvolver um projeto mobile envolve uma grande quantidade de horas, ou seja, dinheiro. Então minha primeira dica é: gaste uma boa (ótima) parte desse tempo em pré-produção, que seria basicamente o planejamento de ideias, estrutura e design.

A parte da programação em si, geralmente, é a mais cara do projeto e a que leva mais horas. Mas a história é que, não importa se você tem um código extremamente complexo, que, sei lá, frite um ovo a distância. Se não for algo interessante, fácil de usar, ou até mesmo bonito, o usuário não vai comprar seu aplicativo, e você perdeu muito dinheiro no processo.

Portanto, pense nessas 3 palavras: ideia, estrutura e design. São elas que vão tornar seu aplicativo algo ruim, médio, bom ou maravilhoso. Mas por quê?

Vamos começar pelas ideias! Parece óbvio que você tem que ter ótimas ideias para fazer um aplicativo legal, mas a verdade é que isso não está tão claro ainda na cabeça das pessoas. Isso porque a ideia de ter um aplicativo mobile é algo relativamente novo, e quando boa parte das empresas pensam em entrar nesse mundo, a primeira ideia é colocar a web no smartphone, ou seja, basicamente transformar o site atual que eles têm em um app.


Isso é uma ideia totalmente errada, pois para isso existem os browsers nos aparelhos, que por sinal funcionam deveras bem.
Para entender como ter as ideias certas para um aplicativo, é necessário entender antes o que é um aplicativo e o que é um smartphone, seja iOS, Android, Windows Phone ou Blackberry. Simples assim!
A primeira coisa que você, que entrou nessa área, tem que entender é: um aplicativo é um software, um programa de computador assim como o que você tem no seu desktop. A diferença é que existem limitações para esse software no smartphone (capacidade de hardware, tamanho de tela, limitações do sistema operacional), assim como também existem vantagens, grandes vantagens.

E é justamente em cima dessas vantagens que você tem que se apegar nas horas de brainstorm do seu novo projeto.
Mas quais são essas vantagens? Primeiro, o smartphone está no bolso da pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora, no trânsito, no trabalho, na cama ou até no banheiro. Abuse dessa vantagem, mostre algo que só a mobilidade pode oferecer.
Uma vantagem que passa despercebida é o fato de que esses aparelhos são pessoais, ou seja, o aplicativo também é da pessoa, e estando dentro do smartphone dela você pode interagir diretamente com ela. Por exemplo, o usuário pode interagir com outras pessoas. E não qualquer pessoa, mas com os contatos dele, sejam amigos ou familiares, o que torna sua relação com o aparelho ainda mais estreita. Ele pode personalizar a home com o que acha interessante, pode utilizar as fotos que tirou, ou até mesmo tirar novas fotos.
Se ele está em São Paulo, por que interessa a ele saber dos restaurantes de Manaus? O aplicativo pode saber a posição geográfica do usuário, utilize isso, mostre ao seu cliente (sim, agora ele também é seu cliente) o que é interessante a ele! Quer coisa mais legal que isso, eu ter um aplicativo especialmente para mim?

Agora junte essas vantagens com a ideia genial! Sim, com essa concorrência você tem que ter um conjunto de ideias geniais ~hehe~.
Eu tenho 3 palavras-chaves que eu costumo dizer no curso, são elas: inédito, útil e divertido.

- O inédito: devido a enorme diversidade, é bem capaz que o que você estiver procurando em uma das lojas de aplicativos, você vai encontrar. Então torne seu aplicativo único, insira ideias novas, coisas que só ele pode fazer. As vezes algo único no aplicativo, por mais simples que seja, é o que vai fazer ele dar certo.
Existem diversos exemplos desse tipo de solução, um deles é o iBeer, um dos primeiros apps a vender mais de um milhão de cópias, a 1 dólar, ou seja, quem o publicou ficou milionário. Para quem não conhece o iBeer, o que ele faz é simplesmente encher seu iPhone de cerveja. Você vira o aparelho, a cerveja desce como se estivesse sendo bebida, e ouve-se um barulho de arroto no fim. Acabou. É isso e o cara ficou milionário! Mas por que? É viral, as pessoas mostram aos amigos, “Olha esse negócio que legal! hahahaha”. Por mais lúdica que seja a ideia, é o que faz as pessoas falarem “Nossa, nunca tinha visto isso antes”, e isso por si já é uma grande ideia, ser único.
Agora você me diz, “Mas como vou colocar uma feature idiota dessas no aplicativo sério, institucional que estou fazendo?”. Não é ser algo idiota, é simplesmente ser algo único, algo que só seu aplicativo faz entre seus concorrentes, uma funcionalidade simplesmente diferente.

- Útil: é a funcionalidade que faz as pessoas precisarem do seu aplicativo, e principalmente o manterem no device. As pessoas cansam muito rápido das coisas, e fazendo algo que a pessoa venha a utilizar frequentemente, ou ocasionalmente, é dar o motivo para que ela não queira deletar aquele conteúdo. Um exemplo banal: um aplicativo médico que gerencia as consultas do usuário, avisa quando você tem que voltar ao médico, quais exames levar, endereço e telefone. A pessoa vai utilizá-lo uma, duas vezes por ano, mas ela sabe que vai precisar daquilo, portanto, não vai se livrar tão facil do programa.
E sabe o que é legal nisso? Um aplicativo é uma forma de publicidade única, isso porque o usuário escolhe consumir essa publicidade, ele que baixou o app. Ou seja, tornando o projeto útil, você dá um motivo a mais pro usuário se apegar a sua marca, a sua empresa. Sua empresa vai se tornar uma ferramenta para ele, e inconscientemente ele se apega a sua empresa. Legal né?

- Divertido: é um dos principais fatores de sucesso das app stores. O que seria delas sem jogos? É o que faz o usuário pegar o smartphone nas horas vagas, pra passar o tempo e esfriar a cabeça. E você dar ao usuário essa oportunidade é uma grande receita de sucesso, é o motivo para que ele baixe e goste do app. As vezes pode ser o tempero que falta, o que vai fazer o negócio explodir.
Porém tem um porém ~hehe~, desenvolver um jogo é algo complicado, que demanda muito mais tempo e dinheiro, tanto de desenvolvimento, quanto de planejamento. Ou seja, se você errar na tacada, o tiro sai pela culatra.

Mas divertido não quer dizer apenas isso, quer dizer o prazer que o usuário pode ter em navegar no seu aplicativo. É aquela estrutura legal, fácil, aquela forma de falar que torna o negócio divertido e agradável. É tornar seu projeto sinônimo de interatividade!

Se eu tivesse que escolher uma palavra para definir o que é um aplicativo, eu diria interatividade. Pense comigo, o usuário não quer saber mais sobre a sua empresa, ele quer seu aplicativo por algum motivo especial. Ele não quer ler, ele quer fazer, vou repetir, ele não quer ler, ele quer fazer! Igual a uma criança quando pega o iPad e fica passando o dedo e apertando e girando e mexendo, é assim que seu usuário tem que se sentir, uma criança brincando com o brinquedo. Divertido.

E mais do que qualquer ideia linda, se seu aplicativo for difícil, não tem dinheiro no mundo que o faça dar certo. Mas já que ficou muito extenso, deixa a continuação pro meu próximo post. O meu objetivo com esses textos é traçar o caminho inteiro da projeção de um novo aplicativo, desde o mundo das ideias, passando por estrutura, apresentação para cliente, arquitetura, fluxograma, design mobile e regras de interface dos devices.

No próximo post então, a gente continua falando o que faz um aplicativo dar certo.

Espero que tenham gostado, até a próxima …(acho que semana que vem, mas não prometo nada :) ).